A FORçA DA MãE25/07/2009 - 19h02Daniel Reis
Maria é das figuras mais representativas no catolicismo, procurada com grande fervor por todos os fiéis. E para falar da causa de sua força e devoção, bem como algumas curiosidades em torno dela, o
Portal Comunicação Católica entrevistou o padre Elio Vigo, da Casa São Paulo. Leia o texto abaixo ou
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Comunicação Católica – Padre, quais são as Marias mais populares?
Pe. Elio Vigo – Bom, pra nós brasileiros, Nossa Senhora Aparecida, em primeiro lugar. Depois, nós temos uma ladainha de Nossas Senhoras que o povo evoca mais e o padre também tem que celebrar novamente, em ação de graças, porque conseguiu-se algum milagre devido àquela. Nossa Senhora de Lourdes, por exemplo, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. E nós temos aí uma infinidade de Marias, que é a mesma mãe de Deus, mãe de Jesus.
CC – Se é a mesma, por que tantas denominações, padre?
Pe. Elio Vigo – Então, é a questão de identificação. Foram criando, a partir do tempo, da fé, do povo e da Igreja, que aprova também. Depende do motivo pelo qual recorro. Por uma necessidade, eu recorro à Nossa Senhora das Dores, por uma necessidade, à Desatadora dos Nós, porque estou com um problema na família, ou de saúde, ou de emprego, qualquer coisa assim. Normalmente, é ligada à vivência do povo, então se apela para o religioso, para o transcendental, e Maria tem uma força muito grande na idéia do povo, na religiosidade do povo brasileiro e acho que de todos os povos.
CC – O nosso maior santuário, um dos maiores santuários que a gente tem aqui é Aparecida do Norte.
Pe. Elio Vigo – No Vale do Paraíba, em São Paulo.
CC – No Vale do Paraíba. Maria tem essa força já na Bíblia, não é padre? Começa lá de trás. Qual a importância de Maria para a religião católica? Como que eu posso entender isso?
Pe. Elio Vigo – Maria a gente até canta, “foi eleita”. Então, é uma pessoa escolhida para abrir uma nova página da humanidade. De um tempo de, vamos dizer, inimizade com Deus, ou não tão intimidade com Deus, para um tempo novo de retornar às origens. Deus criou um povo para a felicidade, para o sim, e alguém disse não. Maria vem, de novo, com o seu sim aceitando o projeto de Deus, o plano de Deus de trazer o Salvador, aquele que iria, de novo, reatar, podemos colocar nesse sentido, a humanidade com o Deus criador.
CC – Padre, ela tem um pouco do mesmo conceito de Eva dentro do Novo Testamento?
Pe. Elio Vigo – Seria, até a gente faz uma comparação: por uma mulher, veio o pecado, o não, a morte. Por Maria vem, com o seu sim, a vida nova, porque ela vai ser o canal da graça, dela vai nascer o Salvador, o Messias, prometido, Jesus, o ungido, o escolhido, para fazer, de novo, essa amizade, essa integração homem-Deus, homem-sagrado. Então, Maria tem essa força. Se abriu, aceitou o projeto com todas as dificuldades, todas as limitações culturais e da sua situação de vida, sua circunstância de vida. Era uma noiva, de repente fica grávida...
CC – O que deve ter sido horrível na época...
Pe. Elio Vigo – É, inclusive corria o risco de pena de morte. Maria, sendo noiva, devendo guardar a sua virgindade, sua castidade, de repente fica grávida e José, o esposo, o noivo, poderia não aceitar. Poderia deixá-la, abandoná-la e, com isso, ele teria que denunciá-la e, pela denúncia, ela corria o risco de ser apedrejada.
CC – Padre, por que a devoção a Nossa Senhora, aqui no Brasil, é tão forte?
Pe. Elio Vigo – Eu acho uma questão de identidade. A gente já recebe isso parece que no berço, parece que já tá incutido, principalmente, lógico, só pode ser por quem nasce em uma família católica. Então, pela força, se identifica com ela, com alguém que faz a vontade de Deus, que consegue fazer a vontade de Deus, que intercede, ou seja, posso recorrer a Maria. Como ela conseguiu de seu filho, Jesus, o primeiro milagre e tantas outras facilidades na vida, facilidade nem seria o termo, mas intercedeu por uma necessidade. Então, a gente se identifica a alguém, a gente sempre tem, como brasileiro, saindo do âmbito religioso, sempre vai procurar alguém, um pistolão, podemos até dizer esse termo meio assim, mas que vai conseguir, que vai abrir caminhos. Então, Maria tem isso, e o povo recorre a ela porque se identifica. É pobre, é humilde, é simples, é mulher, vamos dizer, teria um coração mais aberto às necessidades e um outro tipo de comportamento.
CC – A advogada do povo.
Pe. Elio Vigo – É, seria a advogada do povo. É um dos títulos de Maria.
Pe. Elio VigoPe. Elio Vigo